Decisão da Corte, com placar de 4 a 1, ganha destaque em grandes veículos como Reuters, Wall Street Journal e The New York Times, que analisam as implicações políticas e o impacto nas relações com os EUA.
Por: Localiza Canedo
Publicado em: 11 de setembro de 2025
Foto: Reuters/EPA
A decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado repercutiu de forma significativa nos principais veículos de imprensa internacionais. A condenação, confirmada com o voto do ministro Cristiano Zanin, que se juntou a Cármen Lúcia, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, estabeleceu um placar de 4 a 1, e colocou o Brasil no centro das atenções globais por um feito inédito: a condenação de um ex-chefe de Estado por atentar contra a democracia.
A agência de notícias Reuters, por exemplo, descreveu a decisão como um marco histórico, destacando que Bolsonaro se tornou “o primeiro ex-presidente na história do país a ser condenado por atentado à democracia”. A imprensa estrangeira analisou o caso não apenas como um evento jurídico local, mas como parte de um contexto político mais amplo, traçando paralelos com as condenações de outros líderes de extrema-direita em diferentes países.
O Fator Trump e o Confronto com a Política Externa Americana
A repercussão internacional do julgamento esteve intimamente ligada à figura de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos. A Reuters analisou que a condenação de Bolsonaro, um aliado de Trump, provavelmente “enfureceria ainda mais” o americano, que já havia classificado o processo como uma “caça às bruxas”. Segundo a agência, Trump já vinha adotando medidas punitivas contra o Brasil, como o aumento de tarifas, sanções contra o ministro relator e a revogação de vistos para a maioria dos membros do STF.
O Wall Street Journal, um dos principais jornais de economia dos EUA, reforçou a gravidade da situação. O veículo afirmou que “mandar Bolsonaro para a prisão seria um desafio aos esforços de Trump para inviabilizar um processo que eletrizou o maior país da América Latina” e que “colocou o Brasil no centro da guerra comercial do governo americano”. A imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, justificada por Washington como uma reação à “caça às bruxas”, é um ponto crucial que demonstra o impacto econômico e diplomático da crise. O NYT também destacou a expectativa do governo brasileiro de que a decisão do STF poderia levar a novas sanções.
A Divergência de Fux e os Caminhos para a Defesa
Embora o placar final tenha sido de 4 a 1, a imprensa estrangeira não deixou de notar a divergência do ministro Luiz Fux. A Reuters pontuou que o voto de Fux, que decidiu pela absolvição de Bolsonaro e da maioria dos acusados, poderia “abrir caminho para contestações à decisão”. A agência sugeriu que a existência desse voto contrário poderia influenciar a linha de defesa e, potencialmente, arrastar o julgamento para mais perto das eleições presidenciais de 2026, nas quais o ex-presidente já se declarou candidato, apesar da inelegibilidade.
A existência de uma voz discordante no painel de ministros sublinhou a complexidade do caso e a falta de unanimidade absoluta na interpretação dos fatos e da legislação. As defesas dos réus, que já haviam apresentado uma série de argumentos para absolvição, devem utilizar a decisão de Fux como base para futuros recursos, prolongando o debate jurídico e a incerteza sobre o desfecho final do processo.
As Acusações e as Possíveis Penalidades
A acusação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta para um rol de crimes graves. Os réus foram denunciados pela prática de organização criminosa armada, além de tentativas de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de golpe de Estado. O inquérito também incluiu acusações de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
A legislação brasileira prevê penas que podem variar drasticamente a depender do crime e da participação de cada indivíduo. No caso de Bolsonaro, a pena mínima de 12 anos de prisão foi mencionada, com a possibilidade de chegar a 43 anos. As penas, no entanto, serão individualizadas, e sua execução só ocorrerá após o esgotamento de todos os recursos, um processo conhecido como “trânsito em julgado”. O destino de Bolsonaro, se condenado, seria uma sala especial em um presídio federal em Brasília, como a Papuda, ou na Superintendência da Polícia Federal.
Os Próximos Passos e a Reação Política
Enquanto a imprensa internacional se debruça sobre as ramificações globais da condenação, o cenário político no Brasil permanece em alerta. O governo brasileiro, segundo o New York Times, se prepara para possíveis medidas mais punitivas dos Estados Unidos, que poderiam afetar outros membros do STF e até instituições financeiras do país. O Departamento de Estado americano já havia acusado Alexandre de Moraes de “abuso de autoridade” e prometeu continuar tomando medidas “cabíveis”.
A BBC News Brasil, em sua cobertura sobre o caso, destacou que o tribunal também tomou outras decisões, como a perda do mandato de Alexandre Ramagem. Outras questões relevantes, como a possibilidade de anistia, ganham força no debate político. A condenação de Bolsonaro, embora um marco histórico, é apenas o primeiro capítulo de um desfecho que ainda está em construção, com desdobramentos imprevisíveis na política nacional e internacional. Para entender o que acontece agora, confira o que acontece a seguir, e quais são as possibilidades na mesa para a defesa de Bolsonaro.


