Rossi de vilão a herói: Flamengo avança em noite de drama e redenção na Argentina

Em um jogo tenso e imprevisível, o Flamengo flertou com a eliminação mas, com a frieza de seus batedores e as defesas de seu goleiro, garantiu a vaga nas semifinais da Libertadores após uma vitória por 4 a 2 nos pênaltis contra o Estudiantes, em La Plata.

Por: Localiza Canedo

Publicado em: 26 de setembro de 2025

Foto: Luis ROBAYO / AFP

La Plata, Argentina – O roteiro parecia escrito para uma tragédia, mas o final foi de êxtase e alívio. Na noite de quarta-feira, 25 de setembro de 2025, o Flamengo enfrentou o Estudiantes no Estádio UNO Jorge Luís Hirschi, em uma partida decisiva que prometia emoções fortes. O que se viu, no entanto, foi um teste de nervos para jogadores e torcedores. Após uma atuação abaixo do esperado no tempo normal, o time rubro-negro se viu obrigado a decidir a classificação nas penalidades máximas, onde encontrou a redenção na figura de seu goleiro, Rossi.

O Drama no Tempo Normal

A partida começou com o Flamengo tentando ditar o ritmo, mantendo a posse de bola. O meio-campo, comandado por Saúl, procurava espaços e, aos 32 minutos, o meia demonstrou sua categoria com um chute preciso que, caprichosamente, explodiu na trave direita do goleiro Muslera. Era o sinal de que a sorte não parecia estar do lado dos visitantes. O Estudiantes, por sua vez, tentava reagir com cruzamentos e jogadas aéreas, uma estratégia que, à primeira vista, não parecia frutífera.

O que ninguém esperava era o golpe no final do primeiro tempo. Aos 47 minutos, já nos acréscimos, Benedetti, com um chute potente de canhota, acertou um balaço que surpreendeu a defesa rubro-negra e, em especial, o goleiro Rossi, que vacilou na saída. A bola estufou as redes e o Estudiantes foi para o intervalo com a vantagem de 1 a 0, deixando o Flamengo à beira da eliminação e a torcida local em êxtase.

O retorno para o segundo tempo não trouxe o alívio esperado. O Flamengo se desorganizou taticamente e passou a sofrer com a pressão crescente do time argentino. A defesa rubro-negra, que parecia segura no início, começou a dar sinais de falha. Aos 27 minutos, um novo susto: um contra-ataque rápido culminou em mais um gol de Benedetti, que saiu cara a cara com Rossi. A festa, no entanto, durou pouco. A jogada foi revisada pelo VAR e o impedimento foi assinalado corretamente, salvando o time brasileiro de um cenário ainda mais sombrio.

A Lei do Ex e a Redenção nas Penalidades

Com o placar de 1 a 0 no tempo regulamentar, a vaga foi levada para a disputa de pênaltis. Foi neste momento que o goleiro Agustín Rossi, que havia falhado no gol do Estudiantes, se transformou no grande nome da noite. O arqueiro, com um passado no time argentino, mostrou a frieza e a responsabilidade necessárias para se redimir e se tornar o herói. Ele defendeu duas cobranças dos donos da casa, de Ascacíbar e Benedetti, que ironicamente, havia sido o carrasco no tempo normal. A atuação de Rossi foi o ponto de virada crucial que garantiu o avanço do Flamengo na competição. Para os argentinos, a noite de esperança se tornou uma de frustração, com o mesmo jogador que marcou o gol da vitória se tornando o responsável pela eliminação.

Frieza e Experiência Decidem a Disputa

Enquanto Rossi brilhava, o time do Flamengo demonstrou uma frieza impressionante nas cobranças. Nomes como Jorginho, Luiz Araújo, Carrascal e Léo Pereira converteram seus pênaltis com maestria, sem dar chance ao goleiro Muslera. A vitória por 4 a 2 na disputa confirmou a passagem do time para as semifinais, aliviando a tensão de uma partida que foi, em muitos momentos, frustrante. A experiência do elenco, que já viveu momentos de grande pressão, foi fundamental para manter a calma e garantir o resultado positivo.

Próximos Passos e Desafios

Com a classificação assegurada, o Flamengo se prepara para um novo desafio na Copa Libertadores. O adversário na semifinal será o também argentino Racing. O primeiro jogo da disputa está previsto para a semana do dia 22 de outubro, no Rio de Janeiro, com o jogo de volta na semana seguinte, na Argentina. Antes disso, no entanto, o foco do clube se volta para o Campeonato Brasileiro. A equipe, que busca manter a liderança, enfrenta o Corinthians neste domingo, na Neo Química Arena, em São Paulo. O elenco ainda treina em Buenos Aires antes de seguir para a capital paulista, onde realiza uma última atividade no sábado.

Detalhes Técnicos da Partida

A partida foi disputada sob a arbitragem de Piero Maza (CHI), auxiliado por Claudio Urrutia (CHI) e José Retamal (CHI). O VAR foi operado por José Cabero (CHI). A tensão do jogo resultou em cartões amarelos para Santiago Nuñez (Estudiantes) e Léo Pereira (Flamengo), mas nenhuma expulsão foi necessária. O único gol do tempo normal foi marcado por Gastón Benedetti, aos 47 minutos do primeiro tempo.

O Estudiantes entrou em campo com a seguinte escalação: Muslera, Román Gómez, Santiago Núñez, Facundo Rodríguez e Gastón Benedetti; Medina (Alexis Castro), Amondaraín (José Sosa), Ascacibar e Arzamendia (Cetré); Palacios (Fabrício Pérez) e Guido Carrillo (Alario). Técnico: Eduardo Domínguez.

Já o Flamengo foi a campo com: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Jorginho, Saúl e Arrascaeta (Carrascal); Samuel Lino, Plata (Luiz Araújo) e Pedro (Bruno Henrique). Técnico: Filipe Luís.

Um Susto na Chegada

A atmosfera hostil em La Plata não se resumiu ao campo. Antes da partida, o ônibus que transportava parte da comissão técnica e membros do staff do Flamengo foi apedrejado na chegada ao estádio. O incidente causou danos às janelas do veículo, que ficaram trincadas, mas felizmente não houve registro de feridos. A violência do ataque é um lembrete dos desafios extras que equipes enfrentam em jogos de grande rivalidade.

Links Úteis

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